14 de outubro de 2008

Crônica

Quanta Mudança
por Leonardo Ferraz

Meu pai entrou em casa, ele havia acabado de voltar do trabalho estava muito cabisbaixo e foi direto ao banheiro tomar seu banho. É verdade que essa atitude não era normal, geralmente falaria comigo e meu irmão depois de dar um beijo na mamãe, mas nós nem imaginávamos o que estava por vir.
Já na manhã seguinte, com humor renovado, ele descia cantarolando uma bossa - esse sim era meu pai - feliz, alegre e aquele sorriso de que tudo vai ser perfeito. Mamãe resolveu perguntar o porquê da tristeza de ontem à noite e ele rindo respondeu que não foi nada, só um problema na empresa que em breve se resolve, disse ate para ela financiar aquele carro novo para eles inaugurarem na sexta à noite curtindo um barzinho, ela acenou com a cabeça positivamente. Fomos à concessionária, compramos um lindo carro vermelho e mamãe ria quando experimentava, até tomamos um sorvete depois, definitivamente era uma tarde perfeita.
Mas algo aconteceu, papai novamente chegou triste e dessa vez estava furioso, ao celular gritava e bufava de raiva. Mamãe tentava acalma-lo, mas não adiantava. Ele disse que houve um tsunami na bolsa americana, não entendi nada. Na TV o presidente falou que aqui chegaria como “marolinha”, mas papai não acreditou e eu continuei sem entender. Todavia quando ele veio a mim e disse que minha mesada iria acabar, não pude acreditar, minhas notas estavam boas e esse era nosso acordo, custei acreditar que o papai traiu nosso pacto financeiro, dizia que foi pela compra do carro, por causa da inflação estava subindo. Entretanto eu não me importava. Subi as escadas gritando e fui dormir, afinal não era culpa minha.
Amanheceu quando acordei com a mamãe cutucando minhas pernas, sabia que era mau sinal, significava que ela estava atrasada para alguma coisa. Mas o quê? A resposta não demorou, ela iria atrás de emprego, nunca tinha visto ela se interessar por trabalho antes, geralmente estava na cama vendo televisão ou em frente ao computador tomando um tal “tarja preta”, quanta mudança. Papai saía também, nos deixou na escola e correu para o trabalho, alguma coisa sobre uma reunião e corte de gastos.
Na escola, meus amigos e eu comentávamos o assunto, ficaram abismados com o fato de minha mesada ter acabado sem motivo. Mas fazer o quê? Só o que me resta é esperar a “marolinha” esvair-se, meu pai voltar a cantarolar e mamãe não tão cedo voltar a me acordar.

17 de junho de 2008

O Novo Rock Velho

por Leonardo Ferraz



A primeira década do século XXI não tem sido muito inovadora para o Rock, mesmo com tentativas das bandas atuais de formar novos estilos, a maioria ainda segue os padrões de décadas anteriores e mesmo assim com qualidade inferior a cada ano. Poucos são os grupos musicais que são considerados como verdadeiras revelações e isso preocupa os fãs que há tempos estão ansiosos por algo novo, como já aconteceu em épocas anteriores com outros estilos, afinal algo que não se reinventa acaba sendo ultrapassado.
O Rock com o tempo foi sofrendo diversas modificações, inicialmente formado por uma mistura de três ritmos (Country, Blues e Jazz) da qual foi denominada como Rock Clássico tendo Elvis Presley como um de seus principais representantes no inicio da década de cinqüenta. Contudo, nenhuma outra década ate hoje foi tão especial para o Rock como os anos 60, uma explosão de variados estilos musicais consagrou o ritmo que acabou se espalhando rapidamente pelo mundo e tendo a frente nomes como Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Pink Floyd, The Who, The Doors entre outros da qual essa década mágica serviu de celeiro. Festivais de Musica também marcaram época, mas nenhum deles chegou perto do festival de Woodstook realizado nos Estados Unidos em 1969, reunindo um publico de 450 mil pessoas para curtir “sexo, drogas e rock n’roll”, originando o movimento Hippie.
Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple deram inicio ao Hard Rock, principal estilo estilo musical dos anos 70, diferenciado de tudo que já se conhecia ate o momento por ultilizar um rock pesado com guitarras distorcidas e voz rouca tornando a musica ainda mais pesada. Porem, ainda nesta década, o rock estava perdendo popularidade e as apresentações exageradas nos palcos não surtiam mais efeito, surgindo ai o movimento Punk que pregava o jeito “Faça Você Mesmo”. Entretanto, a “década romântica” estava chegando, o mundo se rendeu às letras melosas e neste período ainda com qualidade, o rock mais uma vez surpreendera o público com seus variados estilos.
Madonna, Michael Jackson, Bonny Tyler, Cindy Lauper e etc contribuíram para a situação do rock nos anos 90. Com pouca novidade o Pop estourava em todo o mundo, mesmo depois de Kurt Cobain ter se esforçado para nos trazer o movimento Grunge, apesar de novos estilos terem aparecido, não se fixaram no gosto popular e logo foram deixados de lado, como por exemplo o Riot grrrl e Visual kei. Foi uma fase sem novidades no cenário do rock; todavia novas bandas surgiram e conquistaram seu lugar, porem apenas era mais do mesmo.
Mas não culpo apenas as bandas de serem repetitivas, pois são reflexos de um público que ano a ano deixa mais a desejar em seus estilos musicais, dando ênfase literalmente à “porcarias musicais”; é necessário analisar o contexto social desses grupos, analisar o que ocorre na mente dos jovens atuais e fazer disso algo de valor deixando o “yesterday” no seu devido lugar.

1 de maio de 2008

Poema - Calada Da Noite

Calada da Noite


Das noites mal dormidas
Ecoam os gritos da calada
Com boca de espanto e voz de soprano
Meus negros, negrinhos que descem da ladeira.
Escutam passos mouros e marchantes
Que vêm longos e sussurrantes

Na alta escada da boca
Um corpo de lá vem rolando
Com cara de espanto ninguém chegou a ficar
Era apenas um negrinho, mais um sem carinho.
Assassino ou ladrão essa morte tem explicação
Para outros solução

Mas como fazer outro momento?
De tanto agouro e tão avarento.
Não preoculpas-tes mais
Amanha isso acaba
No IML ou no Edital
Fazendo vender mais um jornal.



Ferraz, Leonardo Wagner (calada da noite).

16 de abril de 2008

Mais Vale Uma Imagem

Quase sempre minha mãe chega para mim e diz com doces palavras que me ama, que sempre me protegerá de tudo e de todos, ao ouvir essas palavras me sinto acolhido, protegido e arrisco ate a dizer que me sinto corajoso. Porém me pergunto com freqüência o que se passa na cabeça do irmão de Isabela Nardoni? Em quem ele irá confiar? Futuramente é muito provável que os seus pais iram querer seu perdão pelo ocorrido com a sua irmã indefesa, mas será que ele irá perdoar? Afinal não custa nada pensar que poderia ter sido ele, visto que Isabela a meu ver não parecia ser uma menina levada ou ter idade suficiente para ter atitudes mal intencionadas, nada que a diferencie de outras crianças com mesma idade. Mas vale uma imagem do que mil palavras e esse ditado irá fincar na memória do garoto por toda a sua vida, certamente o garoto não é culpado por ser filho de uma dupla de degenerados, burgueses inconseqüentes que não mediram suas atitudes e cometeram tal brutalidade com sua respectiva filha e enteada. Isabela foi assassinada por uma pessoa que hipocritamente a amavam, porém quem a amava realmente gritava desesperadamente "PARA PAI, PARA PAI".

11 de abril de 2008

José Saramago

Biografia

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades econômicas.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".
Em 1972 e 1973 fez parte da redação do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.


Obras Publicadas

Poesia
· Os Poemas Possíveis, 1966
· Provavelmente Alegria, 1970
· O Ano de 1993, 1975

Crônica
· Deste Mundo e do Outro, 1971
· A Bagagem do Viajante, 1973
· As Opiniões que o DL teve, 1974
· Os Apontamentos, 1976

Diário
· Cadernos de Lanzarote I, 1994
· Cadernos de Lanzarote II, 1995
· Cadernos de Lanzarote III, 1996
· Cadernos de Lanzarote IV

Viagem
· Viagem a Portugal, 1981

Teatro
· A Noite, 1979
· Que Farei Com Este Livro? 1980
· A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
· In Nomine Dei, 1993

Conto
· Objecto Quase, 1978
· Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979

Romance
· Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
· Levantado do Chão, 1980
· Memorial do Convento, 1982
· O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
· A Jangada de Pedra, 1986
· História do Cerco de Lisboa, 1989
· O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
· Ensaio sobre a Cegueira, 1995
· Terra do Pecado
· Todos os Nomes

As obras de José Saramago encontram-se publicadas nos seguintes países: Espanha (Castelhano e Catalão), França, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha (Edições na RDA e na RFA), Grécia, Brasil, Bulgária, Polônia, Cuba, União Soviética (Russo), Checoslováquia (Checo e Eslovaco), Dinamarca, Israel, Noruega, Romênia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Japão, Hungria, Suíça, Argentina, Colômbia, México. O seu romance "Memorial do Convento" foi adaptado para a Ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título "Blimunda". A peça de teatro "In Nomine Dei" foi adaptada para a Ópera por Azio Corghi, com o título "Divara".


Livros Traduzidos

A Bagagem do Viajante
Espanha
O Ano de 1993
Itália
Objecto Quase
França
Levantado do Chão
Alemanha, Brasil, Bulgária, Checoslováquia (checo e eslovaco), Colômbia, Dinamarca, Espanha (Castelhano e Catalão), EUA do Norte, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Israel, Itália, Japão, México, Noruega, Países Baixos, Polônia, Romênia, Rússia, Suécia, Suíça, Turquia.
O Ano da Morte de Ricardo Reis
Alemanha, Brasil, Dinamarca, Espanha, EUA do Norte, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria e Itália.
A Jangada de Pedra
Alemanha, Brasil, Dinamarca, Espanha, EUA do Norte, França, Grã-Bretanha, Hungria, Israel, Itália, Noruega e Romênia.
A Segunda Vida de Francisco de Assis
Itália
História do Cerco de Lisboa
Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha (castelhano e catalão), Itália, França, México e Suécia.
Viagem a Portugal
Espanha
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Grã-Bretanha, Israel, Itália, Noruega, Países Baixos, Polônia, Suécia.
In Nomine Dei
Brasil, Espanha.


Congressos e Conferências
Brasil (Rio de Janeiro, S. Paulo, Porto Alegre, Santos, Belo Horizonte e Brasília).


Prêmios

Obras de José Saramago distinguidas:
• Em Portugal
o Prêmio da Associação de Críticos Portugueses "A Noite", 1979
o Prêmio Cidade de Lisboa "Levantado do Chão", 1980
o Prêmio PEN Clube Português "Memorial do Convento", 1982 "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 1984
o Prêmio Literário Município de Lisboa "Memorial do Convento", 1982
o Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) "O Ano da Morte de Ricardo Reis"
o Prêmio Dom Dinis "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 1986
o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", 1992
o Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
o Prêmio Camões, 1995
• Em Itália
o Prêmio Grinzane-Cavour "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 1987
o Prêmio Internacional Ennio Flaiano (Levantado do Chão), 1992
• Inglaterra
o Prêmio do jornal The Independent "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 1993
Prémios
• Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra).
• Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 (pelo conjunto da
obra).
• Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
• Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
• Prêmio Nobel da Literatura, 1998



Doutoramentos
• Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Turim (Itália), 1991
• Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Sevilha (Espanha), 1991
• Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Manchester (Inglaterra), 1994

Condecorações

• Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada (Portugal), 1985
• Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas (França), 1991

28 de março de 2008

Novidade...

No mês de abril farei levantamento da vida, obras, curiosidades e etc sobre personalidades da historia, tanto na musica, como na literatura, religião, esporte e etc.

Acompanhem...

E o 1º será José Saramago autor de livros como "Ensaio Sobre A Cegueira" e "Levantado do Chão"


aguardem....

23 de março de 2008

Uma Visão Reflexiva

Em um canto obscuro, dentro de um espaço de idéias vi ao fim de mais uma aula, uma cena comum em um dia incomum, dia de "amigo secreto de ovos de páscoa". Ao ver os meus companheiros de embates trocando seus ovos, percebi a felicidade nos olhares de todos, porém algo aconteceu. Percebi que a manipulação da preferência de nossa amiga, professora e orientadora estava evidente e com verdadeiras obras primas feitas a chocolate a ela era designada, mas meu apelo ao original me fez fazer diferente e um poema seria a melhor representação disto e numa folha de papel que talvez nem fosse lida, representou um apelo. Um apelo ao que eu taxaria de um não sei o que..., mas que me incomoda bastante e a respeito do poema as palavras que lá foram eternizadas talvez não tivessem gosto de chocolate, mas a sensação seria bastante adocicada.